Green plants
Communication
Published On
Jan 31, 2020

Enquanto profissional e consumidora convicta de que as organizações, com suas marcas, têm um grande poder de transformação, quero ajudá-las a tomarem um caminho mais sustentável e incentivar pessoas a adotarem hábitos mais conscientes. É por isso que decidi compartilhar algumas dicas para você começar a se questionar mais.

A sustentabilidade é uma macrotendência, capaz de impactar profundamente a sociedade de diversas maneiras. Produtos sustentáveis, serviços e comportamentos são o presente-futuro. Eles são melhores para os negócios, consumidores e o planeta, e cada vez mais pessoas estão pedindo por isso.

E isso é alcançado por meio de uma série de melhorias incrementais. A sustentabilidade não está ali de “bonita”, ela deve ser parte fundamental da estratégia da sua organização. E isso vem da clareza: é melhor começar com uma compreensão clara do que você está fazendo ou quer fazer.

Por isso, faça perguntas

Você acredita que é possível implementar práticas mais sustentáveis dentro da sua realidade? Quão sustentável você está na estrutura do seu negócio? Acredita que otimizar processos pode reduzir seus custos? Sabia que pequenas práticas de sustentabilidade podem tornar seu empreendimento leve, convidativo, funcional e rentável?

Ser uma marca sustentável é compreender que o contexto ambiental e social que a gente vivencia não está lá muito legal e que você pode fazer algo para contribuir para melhorar e não para deixar pior do que já está. É adotar práticas responsáveis e se fazer responsável.

Sua marca sabe o impacto que gera?  

Não podemos ficar jogando tudo fora como se nossos recursos fossem infinitos. Estamos usando mais do que a Terra é capaz de oferecer, tanto que hoje já precisamos de 1,7 planeta para viver. Estamos consumindo recursos das gerações futuras!

Temos trabalhado tanto para acompanhar o ritmo acelerado da tecnologia e da segmentação de audiência que não conseguimos olhar para os efeitos do nosso próprio crescimento ou como lidar com o impacto. Ter uma opção sustentável não é suficiente; é necessária uma mudança em grande escala.

Entenda que a partir do momento em que você decide criar um produto, ele vai impactar a vida das pessoas - sejam elas trabalhadores, consumidores, fornecedores - e da natureza, que terá uma parte dos seus recursos extraídos e afetados, em uma menor ou maior dimensão.

Logo, criar uma marca amiga do meio ambiente e das pessoas é, sim, buscar uma transformação. O que nos leva ao próximo ponto:

Esteja disposta(o) a gerar um movimento

Se você quer ver uma mudança no comportamento das pessoas, então precisa se posicionar sobre alguns assuntos e incentivá-las a fazerem o mesmo. O seu propósito precisa ser genuíno, vindo de dentro para fora.

Uma marca deve gerar um movimento, uma mudança, uma transformação. Se não for pra isso acontecer, é melhor nem começar.

O propósito da Beleaf é fazer com que as pessoas se alimentem melhor, e por isso a empresa oferece refeições ultracongeladas à base de plantas, sem nada de proteína animal. Ela ainda adotou o processo de logística reversa e ensina as pessoas a reciclarem suas embalagens de forma correta.

Neste ano, a marca fez uma parceria com a Fazenda Futuro, que está criando carne a partir de proteínas vegetais com a mesma textura, suculência e gosto de carne animal. Isso é gerar valor - e movimento.

Ao remover as barreiras e destacar os benefícios, é possível entregar mais valor levando em consideração a ideia da sustentabilidade. Menos barreiras + benefícios = valor.

O greenwashing ou lavagem verde pode acabar com qualquer posicionamento relacionado à sustentabilidade, por mais incrível que pareça. Por isso, é importante conhecer as regras básicas sobre essa prática e como evitá-la.

A Lola Cosmetics é outra marca brasileira, conhecida pelos seus shampoos, cremes e condicionadores super cheirosos, veganos, produzidos sem testes em animais. Assim como a Beleaf, a marca também realiza a compensação ambiental das suas embalagens e criou o Lolapédia, manual que explica termos presentes em rótulos de cosméticos que quase ninguém entende.

Esteja atenta(o) sobre tendências e comportamento

Consumidores estão procurando por marcas que façam o bem e eles estão escolhendo esses produtos e serviços por causa do propósito por trás deles. É como as pessoas vão comprar nos próximos anos.

93% dos consumidores no mundo querem ver mais ações ambientais das marcas que consomem, e a cada quatro pessoas, três dizem que querem comprar mais produtos sustentáveis.

Os millenials e a geração Z estão cobrando. Veja só a Greta Thunberg, por exemplo. Ela já entendeu que é necessário mudar nosso comportamento daqui para frente, e isso vai exigir trabalho de muitas pessoas: marcas, públicos, consumidores e governos. Devemos estar envolvidos porque todos nós seremos impactados.

Por último, acolha a transparência (de verdade)

Quem lembra do que aconteceu com a Loja 3 este ano? A marca de moda carioca aparentava ter valores sociais e ambientais bastante sólidos. Mas bastou uma investigação mais a fundo para tudo desabar: as “práticas sustentáveis e sociais” faziam parte deuma estratégia de marketing que por um certo tempo funcionou muito bem.

Os valores da sua marca, amiga do meio ambiente e das pessoas, precisam ser intrínsecos. De dentro para fora.

Para que um posicionamento sustentável seja consistente, ele precisa estar dentro da estratégia de uma organização, e só depois na sua estratégia de marketing. Isso precisa se ligar aos objetivos que você estabeleceu.

Compare isso com a AHLMA, por exemplo. Ela é uma marca de moda, produz peças sem gênero a partir de tecidos de reuso (que já existem no planeta), e abre todos os seus processos e ideias por lá. Isso está no seu porquê e pode ser acessado por qualquer pessoa em seu site. Ela entendeu que para pregar um consumo consciente, é preciso antes se aprofundar em uma produção consciente.

Por que esse produto foi feito? O que há nele? O que não há nele? Qual é a cultura a que minha empresa abraça? Quem é o dono da organização que criou esse produto? Quais ações são feitas com o dinheiro das vendas?

Como é minha cadeia de produção? Quem são as pessoas envolvidas na produção? De onde vêm os ingredientes/materiais? Onde o produto foi fabricado? Quais certificações o produto tem? Como posso ensinar as pessoas a descartarem ele de forma correta?

Ter intenções claras e estar sempre em busca de melhorias vai trazer clareza para a sua marca. Por isso, por favor, não pare de se questionar.

Dica bônus 1: Compreenda primeiro seus objetivos de negócio e depois os de comunicação: viva o que você prega, quais os seus valores, posicione-se, comunique o que você faz, quais certificações sua marca tem.

Dica bônus 2: Elimine, sempre que possível, a necessidade por produtos e embalagens descartáveis, que não têm um destino correto. A maioria dos produtos desse tipo acabam parando em aterros sanitários.

Ser uma marca sustentável é compreender todo um ecossistema de problemas que estão acontecendo. E não adianta fingir que nada está acontecendo – porque os consumidores, a população em geral, já ganharam consciência de que temos grandes desafios a serem enfrentados em conjunto. E é assim que acredito que precisa (e vai) ser daqui em diante.

Texto publicado originalmente no meu LinkedIn.

You might also like...

There's nothing here for now :(